segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Tuna feminino: Aline lamenta derrota, mas está confiante na classificação

A derrota do time feminino da Tuna por 4 a 3 para o Tiradentes do Piauí, sábado, deixou a técnica da Lusa, Aline Costa, preocupada. Segundo Aline,  resultado ideal e até justo pelo que a equipe cruzmaltina mostrou em campo, seria o empate. "Dominamos o Tiradentes todo o segundo tempo, mas o juiz, infelizmente, deixou de marcar pelo menos três pênaltis a nosso favor. Se marca pelo menos um, a essa hora estaríamos classificadas e em primeiro lugar", lamenta a técnica cruzmaltina.
A Tuna já jogou suas quatro partidas pela primeira fase do Campeonato Brasileiro. Tem nove pontos e agora espera o resultado de duas partidas que serão decisivas para a classificação: Viana (MA) e Pinheirense (PA), e Iranduba (AM) e Tiradentes (PI). Ambas as partidas acontecem na próxima quarta-feira. 
O Pinheirense é quem mais ameaça a Tuna, porque está com seis pontos e pega o lanterna do Grupo 4, o Viana, que está com zero ponto. Vencendo, a equipe de Icoaraci completa nove pontos e assume a primeira colocação, já que tem um saldo de gols superior à Tuna. Nesse jogo, melhor resultado para a Tuna é empate.
Na outra partida, o Iranduba pega o Tiradentes em casa. A equipe amazonense é uma das melhores do grupo 4, embora só tenha três pontos. Com certeza vai lutar para vencer, embora esteja sem chances de classificação. Se conseguir pelo menos um empate, fica bom para a Tuna, porque independente do resultado do Pinheirense, a Águia está classificada em primeiro ou segundo lugar.
A Tuna está em primeiro lugar. Mas, infelizmente, para classificar-se necessita de resultados de outras equipes. É esperar pela quarta-feira e torcer para que nossa Águia fique entre as duas equipes classificadas. O ideal era ficar Tuna e Pinheirense, dois times do Pará. 
A técnica Aline Costa diz que jogar fora é sempre perigoso. "É necessário uma pessoas forte na delegação, tipo um diretor, que brigue pelos direitos do clube. Só o técnico ou técnica, pouco pode fazer contra as "forças ocultas" que influenciam nos resultados", lamenta a técnica.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Camões, Pessoa, Caetano e Os Argonautas


Genial como ele só, Caetano Veloso lê em tom de declamação, parte da carta de Pero Vaz de Caminha, o primeiro jornalista a escrever sobre o Brasil. Enquanto Caetano declama, uma rica imagem mostra caravelas típicas da época do descobrimento, e ao findar parte do poema-carta de Caminha, o baiano canta sua linda canção "Os Argonautas", que contém a bela e enigmática frase "Navegar é preciso, viver não é preciso", que alguns atribuem a Camões, Fernando Pessoa, mas que o próprio Pessoa,  em um de seus livros, na apresentação, afirma pertencer aos antigos navegadores portugueses da Escola de Sagres.
Literatos, tanto de Portugal como do Brasil,  definem a frase como uma das mais belas da literatura portuguesa, no que este escriba concorda, e mesmo que alguns estudiosos da obra de Camões garantam que a frase seja de sua autoria, uma corrente bem maior afirma  não pertencer ao autor de Os Lusíadas, tampouco à Pessoa, mas a um general romano chamado Pompeu, que a escreveu originalmente em latim.
Mortais como nós, apoiamos a idéia de Fernando Pessoa, que iluminadamente a incorporou quase que totalmente em uma de suas muitas ricas mensagens.
O certo é que Caetano Veloso enriqueceu sua música, seu poema e sua melodia com a frase na canção "Os Argonautas", que o Blog presenteia aos seus seguidores e navegantes nesta sexta-feira iluminada por um sol belamente brilhante, ante-véspera de Cirio de Nossa senhora de Nazaré. Ouçam a beleza de "Os Argonautas". E Feliz Círio para todos.

Tuna feminina foi buscar vitória no Piauí!

Com nove pontos e já garantida como líder do Grupo IV do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, a equipe da Tuna Luso Brasileira viajou hoje cedo para Teresina, no Piauí, onde enfrentará o Tiradentes.
Equipe tunante  quer comemorar mais uma vitóriadentes.
A partida, que anteriormente havia sido marcada para o dia 9, no Estádio Alberto Silva às 20:30h, mudou de local e horário: acontecerá amanhã no Estádio Lindolfo Monteiro, às 16h.
O Grupo IV tem a Tuna como líder com nove pontos e o Pinheirense como segundo colocado, com seis pontos. O Tiradentes, adversário da equipe luso brasileira vai entrar em campo disposto a vencer para continuar a ter chances, pois com apenas três pontos, vencendo poderá fazer sua última partida, fora de casa contra o Iranduba, com chances de classificação.
O Pinheirense, a outra equipe paraense na competição, vai de camarote torcer pela vitória da Águia do Souza, pois tem como último compromisso da primeira fase o lanterna Viana (MA), que té agora não pontuou.
A técnica Aline mesmo com o time na primeira colocação, vai lançar a força máxima da equipe cruzmaltina, pois espera vencer para terminar no topo e pegar um adversário mais fácil na segunda fase.
A equipe de futebol  feminino é o motivo de alegria dos torcedores cruzmaltinos, que apóiam e ajudam as meninas a honrarem o nome da Tuna Luso Brasileira no cenário esportivo paraense e nacional.
Mesmo passando o Círio fora de Belém, as meninas da Tuna vão comemorar nossa maior festa com muitas orações e lutando no Piauí para trazer uma vitória para os cruzmaltinos.

Águia de Marabá faz seu jogo da vida

Pelo que vem fazendo em todo o campeonato, não acho muito difícil o Águia de Marabá aprontar com o Luverdense dentro da casa do adversário, em Lucas do Rio Verde.
Com 31 pontos e fora do G-4, por conta da vitória do Sampaio Correa por 2 a 1 sobre o lanterna Rio Branco e sua consequente subida para o G-4, o Águia tem a difícil- mas não impossível missão de vencer o Luverdense em Lucas do rio Verde.
Para muito é uma missão impossível. Para o técnico Galvão, seus jogadores e também para este escriba, tudo pode acontecer. Mesmo que esteja invicto dentro de casa, com nove jogos, seis vitórias e três empates, o Luverdense é freguês do Águia dentro de seus domínios. O time de Galvão já venceu o Luverdense duas vezes em seu caampo e pela mesma Série C.
A situação é complicada porque tanto Águia como Luverdense estão com 31 pontos e ambos necessitando vencer. É um duelo de titãs, com as duas equipes brigando pela permanência e possível ascensão à Série B. O empate não é um bom resultado para nenhuma dos dois times, por isso João Galvão já definiu como vai jogar. "Vamos entrar num 4-4-2, aproveitando os contra ataques. Não podemos sofrer gols e vamos tentar aproveitar a velocidade e a juventude de nossos atacantes para surpreender o adversário".
O técnico aguiano vai poder contar com a força máxima de seu time no meio de campo e no ataque. Daniel e Mael serão os dois volantes, enquanto Diego Palhinha e Flamel serão os meias, com obrigação de alimentar os atacantes e  aproveitar os rebotes. "Palhinha pode funcionar até como terceiro atacante", diz Galvão. No ataque, o filho do homem, Danilo Galvão, e Kenno.
Uma boa briga que vamos torcer para dar Águia, ou melhor: Pará.

Remo X Tuna: base da Lusa será o "Jacaré"

Lecheva foi inteligente para este primeiro jogo da Tuna em preparação para a Primeira Fase do Paraense de 2014. Como o adversário é o Clube do Remo, que vem treinando e com uma equipe base já há algum tempo, o "Coach" cruzmaltino vai utilizar quase toda a base do Paragominas, que por estar com salários atrasados e só voltará a jogar em Janeiro, liberou quase todos seus jogadores. Não se sabe se estes atletas que estarão à disposição de Lecheva para o encontro de hoje com o Remo, vestirão a camisa da Lusa para os jogos do Seletivo. Porém, já é válido entrar em campo para o teste de hoje com um  time base.
Dos que poderão jogar hoje contra o Remo quase todos já passaram pela Tuna, que infelizmente,parece que  ainda não será desta vez que mostrará um time renovado.
Cristóvan, Sam, Adriano Miranda, Pedrinho Mossoró, Paulo de Tárcio e o goleiro André Luis são velhos conhecidos da nação cruzmaltina.
Se a Tuna conseguir fazer algum tipo de contrato com eles, parabéns, porque são jogadores conhecidos e sabemos que a maioria tem condições de fazer um bom torneio seletivo.
Mas seria interessante que Lecheva lançasse alguns jogadores da base Lusa, comoPelezinhop, que j´[a está no clube há mais de dois anos e n]ão estréia como profissional. Pelezinho, mesmo ainda sendo de menor idade, é um valor que pode ser lapidado. Mas para isso é importante que comece logo a jogar entre os profissionais.
Para a partida de hoje contra o Remo, que este escriba particularmente acha equivocada, pois é perigoso para a Tuna que está sem jogar e até sem treinar com os jogadores oriundos do Paragominas, vamos torcer por um resultado que seja pelo menos satisfatório para o técnico Lecheva e os cruzmaltinos.
Mas insisto:o teste seria melhor cm ma equipe que tivesse omesmo nivel, embora tratando-se de um clássico, tudo pode acontecer. Até mesmo nos tunantes vencermos!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Remo e Tuna: sem essa de "pagar mico"

O jogo entre Tuna e Remo, marcado para amanhã às 20h30 no Baenão, até seria interessante se a Tuna não estivesse com um time bem prematuro, em formação, sem a menor condição de jogar uma partida que, mesmo amistosa, considero das mais sérias.
Explico: o Remo já vem treinando há muito tempo. Charles Guerreiro, que reputo como um grande profissional, já possui uma equipe base e ainda vem recebendo reforços de jogadores que estavam emprestados e isso só faz a equipe evoluir. Tanto, que nos quatro amistosos que fez -Time Negra,Seleção de Ipixuna, Ananindeua e Castanhal, fez 11 gols e só tomou um, o que prova que a equipe está bem.
Vamos prestigiar levando nossa bandeira
A Tuna, ao contrário, o que sabe está fazendo uma peneira, pois os jogadores que o time tem são alguns do Sub-20 e uns poucos que chegaram do Paragominas.
Num clássico -Tuna e Remo sempre vai ser um clássico, que deve ser respeitado principalmente pelas diretorias!- a responsabilidades dos técnicos e dos jogadores é grande. Como o Remo está com uma equipe mais organizada, bem melhor, para os cruzmaltinos -jogadores, diretoria e técnico- uma derrota por um escore elástico pode ser ruim, muito ruim.
Mas, como um clássico é sempre um clássico, de repente o que estou pensando pode dar errado. Vamos torcer para a Tuna, que mesmo tendo uma equipe bem limitada, humildemente, possa surpreender o eufórico Remo.
Eu, particularmente, não realizaria uma partida assim. Pensaria num resultado que, sendo negativo,  poderá influir na cabeça do técnico Lecheva e até na formação do time, que tem que estrear no dia 3 de Novembro. O melhor, a meu ver, seria pegar uma equipe da Segundinha que foi desclassificada. Seria um adversário mais à altura e bem mais nivelada.
Quem não lembra um caso parecido, quando o técnico do Clube do Remo era Flávio Lopes que, na oportunidade, estava arrumando a equipe. As diretorias de Remo e Paysandu acertaram um amistoso e Flávio foi contra, deu o maior pulo. Achava que o time azulino por ainda estar em preparação não seria um adversário à altura, e isso poderia prejudicar seu trabalho e até influir no psicológico dos jogadores. Não deu outra. O Paysandu aplicou uma goleada de 3 a 0 no Remo e o técnico deu a maior bronca na diretoria, que reconheceu o mico de marcar o jogo.
Mas, voltando à realidade, como tunante, louco para ver o time em ação, estarei lá. E vou torcer para que não aconteça nada de mico. Pelo menos para o nosso lado.  Força, Tuna!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Cinema brasileiro perde Norma Bengell

Morreu na madrugada de hoje, no Rio de Janeiro, a atriz, cineasta e cantora Norma Bengell. Norma estava internada há alguns dias e faleceu em consequência de um câncer em um dos pulmões. Mulher de seu tempo, Normal estreou na Sétima Arte no final da década de 50 e foi protagonista do primeiro nu frontal do Cinema Brasileiro, no filme "Os Cafajestes", de Ruy Guerra, onde contracenou com o ator Jece Valadão.
O Blog, em 2011, fez interessante matéria com Norma Bengell, quando os diretores do Festival de Cinema Brasileiro resolveram homenageá-la. De cadeira de rodas Norma Bengell foi eceber a homenagem, fazendo seu discurso cheio de emoção.
Hoje, em homenagem à grande atriz, cineasta e importante representante da história do Cinema Brasileiro desde os tempos das chanchadas, passando pelo Cinema Novo, pelos estúdios europeus -Itália e França- e Hollyoodd desaparece, reproduz o material postado em 2011. Com diriam os noveleiro "Vale a pena ver (e ler) de novo" um pouco da história da grande Norma Bengell.


Norma Bengell, atriz e mulher de luta


Norma Bengell foi uma das grandes homenageadas do Festival de Cinema Brasileiro. Aos 75 anos, viúva e sem filhos Norma é sempre simpática e mesmo com a idade avançada ainda guarda os traços da sensualidade que a fizeram, além de uma das mulheres mais desejadas do Brasil, estrela de mais de 50 filmes, entre brasileiros, italianos e franceses. Um destes filmes, o premiado "O Pagador de Promessas", dirigido por Anselmo Duarte e ganhador da Palma de Ouro, em Cannes. A homenagem à Norma Bengell é por demais justa.
...Capa de O Cruzeiro e em cena de "Os cafajeste
Norma amava o Cinema como a própria vida
Atriz, diretora, cantora e compositora, Norma hoje está numa cadeira de rodas, resultado de uma queda que lhe gerou problemas na coluna. Ela tem uma grande trajetória na história do Cinema Novo. Trabalhou cm os principais cineastas e diretores de cinema do País, de Glauber Rocha a Ruy Guerra. Além de atriz de cinema, teatro e televisão, Norma sempre esteve presente nos movimentos políticos, onde teve papel fundamental como mulher de luta.
O último papel de Norma, que vai fazer 76 anos, foi na televisão, como a personagem Deise Coturno no humorístico "Toma lá, dá cá", da TV Globo, encerrado em Dezembro de 2009. Pouco depois, ela escorregou num tapete de casa, sofreu um tombo e precisou operar a coluna e o cotovelo. Dali em diante, a atriz só deixou sua casa para ir ao hospital e para dar entrada no pedido de aposentadoria, que ainda não saiu. Passa semanas sem sair de casa e sem uma fonte de renda regular há mais de um ano, a atriz diz que quer voltar a filmar.
Norma também não recebeu a pensão de anistia do governo, que requereu por ter sido presa durante o regime militar: o valor seria de R$ 2,7 mil mensais, mais uma indenização retroativa de R$ 254,4 mil. Na última semana, um perito médico examinou a atriz e disse que o dinheiro pode sair em 60 dias.
Norma teve suas contas bancárias e bens bloqueados depois da polêmica envolvendo o filme "O guarani" (1996), dirigido e produzido por ela. Na época, o Ministério da Cultura e o Tribunal de Contas da União encontraram irregularidades nas notas de prestação de contas do longa. Norma recebeu críticas de todos os lados. E processos. Os criminais foram arquivados. Outros dois - tributários - aguardam decisão. Enquanto isso, além dos bens bloqueados, ela está impedida de assinar projetos como produtora.
- Publicaram que eu não tinha feito filme algum, que tinha comprado uma cobertura com o dinheiro. Mas o filme estava pronto, passou na TV para milhões de espectadores - ela diz.
Hoje, o maior problema da atriz-diretora-produtora são as dívidas. Com o plano de saúde, já são R$ 3 mil, e o serviço deve ser cancelado este mês. Ela também não consegue mais pagar o fisioterapeuta, as contas do cartão de crédito, um empréstimo bancário, o salário de Vilma, sua empregada, e nem o aluguel da cadeira de rodas, a R$ 150 mensais. Norma já vendeu jóias e quadros, e os amigos consideram levá-la para o Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá.
- Não vou. Não quero sair daqui. Moro nesta casa há quase dez anos - diz. - Algumas pessoas estão me ajudando, mas o que eu preciso é de patrocínio para rodar meu filme. Tenho um projeto de um média-metragem sobre o J. Carlos, o cartunista, que o Silvio Tendler vai produzir. Eu consigo dirigir da cadeira de rodas, só preciso de alguém que apoie.
O desejo é compreensível. Durante muito tempo, Norma disputou com Odete Lara o título informal de musa do cinema nacional. Depois de fazer sucesso como vedete nos espetáculos de Carlos Machado, sua estreia nas telas aconteceu em 1959, quando contracenou com Oscarito na chanchada "O homem do Sputnik", de Carlos Manga. No mesmo ano, ela levou para as lojas o disco "Ooooooh! Norma", em que aparecia lindamente seminua na capa, num projeto de César Villela, e surpreendia a todos cantando bossa nova, ainda nos primórdios do gênero.
Mas os dois trabalhos fundamentais para sua carreira só foram lançados em 1962. Primeiro, a atriz escandalizou a conservadora sociedade brasileira ao protagonizar o primeiro nu frontal da história do cinema brasileiro, em "Os cafajestes", de Ruy Guerra, em que atuava ao lado de Jece Valadão e Daniel Filho. Em seguida, foi a vez de interpretar a prostituta Marli em "O pagador de promessas", de Anselmo Duarte, o primeiro e até hoje único longa-metragem brasileiro a receber uma Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Dali, ela foi morar na Itália, casou-se com o ator Gabrielle Tinti, já falecido, e despontou para o estrelato, com filmes no Brasil e na Europa. Por aqui, foi dirigida por Domingos Oliveira, Julio Bressane, Rogério Sganzerla, Antônio Calmon, Walter Hugo Khouri, Paulo César Saraceni, Glauber Rocha, Neville D'Almeida e Paulo Thiago.
- Aquela cena dos "Cafajestes" deu muito o que falar. A TFP (a organização Tradição, Família e Propriedade) mandou tirar meu nome de todos os cartazes e organizou uma passeata contra mim. Disseram que, se eu fosse a Belo Horizonte, iria morrer a paulada - lembra. - Eu nunca tinha ficado nua assim. O Ruy Guerra falou para eu entrar na água, e eu tirei o maiô dentro do mar. Aí ele botou a câmera atrás de um jipe, e disse "corre", e eu saí correndo pela praia. Foi feito uma vez só.
Hoje, a rotina de Norma é reduzida à fisioterapia -a fisioterapeuta continua atendendo mesmo sem receber há dois meses -, a assistir a programas na TV e à internet. Norma acorda cedo, por volta das 6h30m, e só consegue se locomover na cadeira de rodas e com auxílio de alguém. Seus ambientes se limitam ao quarto, à sala e ao escritório, onde responde a e-mails e lê notícias na rede. Fuma bastante. Já tentou parar, mas nunca conseguiu. E vive cercada de prêmios, fotos antigas e cartazes de filmes.
Ao contar suas histórias, Norma às vezes ri ("o Anselmo Duarte era tão engraçado", diz), em alguns momentos olha para o alto ("Ah, eu briguei com o Glauber no 'Idade da Terra'"), e muitas vezes chora. O choro é de quem gostaria de voltar a exercer seu ofício mais uma vez, mais de 50 anos após o início de uma muita bem-sucedida carreira artística.
- Eu não sou saudosista, vivo muito o presente, não sinto falta daquele tempo. Mas sinto falta de atuar. 
Quando a luz acende, a gente se sente outra pessoa. É lindo - afirma. - E também sinto falta do mar. Eu gostava de nadar, de sentir aquele cheiro de sal. Mas eu acho que tudo vai melhorar. Se eu não achar, eu morro. Norma Bengell é uma mulher emotiva. Uma atriz que em mais de 50 anos de carreira sempre mostrou talento e competência. Se não fez fortuna, é natural. Se fez e gastou, não merece críticas. Artista -costumo sempre dizer- é um ser diferenciado. Merece, pelo que faz e fez, o respeito dos que amam a arte.
Além de Norma Bengell o Festival de Cinema Brasileiro homenageou o casal Luis Carlos Barreto e Lucy, indiscutivelmente dois grandes baluartes do Cinema Brasileiro.