quinta-feira, 24 de abril de 2014

"Canteiros", a canção proibida

Uma das canções mais polêmicas da MPB, gravada há 41 anos, "Canteiros", música de Raimundo Fagner interpretada pelo próprio, ao contrário do que muitos pensam, não é um um poema de Cecília Meireles. Na realidade, para fazer  "Canteiros" Fagner usou um trecho do poema "Marcha", de Cecília, adaptou e pegou mais duas canções: ""Na hora do almoço", de Belchior, e "Águas de março", de Tom Jobim. Tudo junto (e misturado)  gerou a belíssima e polêmica "Canteiros", gravada no LP "Manera Frufru, Manera", de 1973.
A canção foi proibida de execução por determinação da justiça, a pedido da família de Cecília Meireles. Fagner não podia sequer cantar, todos os disco recolhidos e o cantor, que estava praticamente começando sua carreira, se viu famoso e ao mesmo tempo marginalizado, acusado de apropriação indevida.
Peando bem, Fagner errou quando pegou uma pequena parte do poema da poeta Cecília Meireles e burlou como quis. Mas errou também quando fez o mesmo com as oobras de Belchior e Tom. Só que os dois levaram na base da homenagem , enquanto a família de Cecília botou o cearense no azeite quente.
A briga acabou, "Canteiros" até hoje, embora tenham se passado mais de 40 anos, é canção pedida em todos os bares e nos shows de Fagner. Gente de todas as idades conhece e curte a música, realmente um clássico da MPB. 
E, pensando bem, foi até interessante para o na época jovem Raimundo Fagner se vê envolvido em polêmica tão interessante. No início o compositor-cantor sofreu, mas depois a música estourou e o "Manera Frufru, Manera" (que eu tenho em vinil e CD), passou da casa de 1 milhão de cópias vendidas, dando até hoje muitas alegrias ao compositor de Orós.
Abaixo, letra (poeticamente riquíssima!) original de "Canteiros" e uma gravação de Fagner interpretandosua pol}êmica e famosa canção.

Canteiros
(Fagner)

Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Pode ser até manhã
Cedo, claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
Deixemos de coisa, cuidemos da vida
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um toco sozinho ...
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração

Um comentário:

  1. Olá, Marcos. Passei por aqui e gostei mito de seu blog. A forma como você aborda vários assuntos diferentes com uma escrita leve, segura e que prende o leitor. Mto bom mesmo. Abraço, Rachel

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